Escritor Ignácio de Loyola Brandão durante entrevista ao Cândido - Jornal da Biblioteca Pública do Paraná. Registro reproduzido de Carla Formanek.

Ignácio de Loyola Brandão: livros para conhecer o romancista

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A organização do 63º Prêmio Jabuti já anunciou quem será o homenageado de 2021: o romancista paulista Ignácio de Loyola Brandão, cujos livros o levaram a ser membro da Academia Brasileira de Letras e, inclusive, detentor de cinco Jabutis.

Aos 85 anos de idade, o escritor conta com uma vasta produção relevante para o cenário literário brasileiro, incluindo títulos como Zero (1975) e Não Verás País Nenhum (1981), além do último romance: Desta Terra Nada Vai Sobrar, A Não Ser O Vento Que Sopra Sobre Ela, lançado em 2018.

Neste texto, você vai poder conhecer um pouco mais sobre algumas das obras do autor, para prestigiá-lo com propriedade durante o evento. Boa leitura!

Depois do Sol (1965)

Filho de um ferroviário, o primeiro trabalho de Loyola Brandão foi informalmente em um jornal, em uma crítica de cinema no extinto A Folha Ferroviária, em meados de 1952. 

No entanto, desde pequeno, a literatura já fazia parte dele, e foi em 1965 que o primeiro lançamento oficial ocorreu.

Em Depois do Sol, um livro de contos, o autor demonstra ser um observador curioso e exímio da vida paulistana e todas as pessoas que por ali vivem, depositando o olhar sobre garotas de programa, marginais, manequins, atrizes, etc.

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Bebel Que A Cidade Comeu (1968)

Três anos depois, outro lançamento significativo para iniciar a consolidação da carreira do escritor, foi Bebel Que a Cidade Comeu

No Brasil, os anos 1960 foram marcados por um período extremamente tenebroso, a Ditadura Militar. Ao acompanhá-lo, Loyola retrata os episódios comuns à época, como a repressão política e a brutalidade, além da “explosão de uma irreprimível fome de vida”, tudo isso de forma sarcástica e, por vezes, ácida.

Tudo isso comparando o cenário daqueles tempos sombrios com Bebel, uma morena encantadora que deseja ser famosa, mas que, assim como outros personagens, não tem perspectiva e precisa abrir mão dos próprios sonhos por causa da violência da cidade grande, que parece não ter sido feita para os fracos.

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Zero (1975)

Por falar em Ditadura Militar, o livro Zero narra a história de Rosa e José, o casal protagonista, que alimentam entre si um sentimento de desdém, mas também um desejo físico descomunal, vivendo literalmente entre tapas e beijos.

Contudo, muito além da história, um fato interessante é que o livro foi publicado primeiramente em 1974, mas na Itália, depois de várias editoras brasileiras terem o recusado.

A primeira edição nacional saiu apenas em 1975, mas já no ano seguinte ele foi proibido em todo o país pelo Ministério da Justiça, que o considerou ofensivo à moral e aos bons costumes, já que abordava questões relacionadas à repressão e ao desejo de liberdade.

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Não Verás País Nenhum (1981)

Se Zero firmou um caminho de notoriedade para Loyola Brandão, Não Verás País Nenhum foi a obra que o fez continuar. 

Vencedor do Prêmio Illa de melhor livro latino-americano publicado na Itália em 1983, o livro é uma distopia que se passa em São Paulo, na qual um professor de história chamado Souza — narrador personagem —, morador de um edifício no centro da cidade, nota repentinamente que está com um furo na mão. 

Para tentar descobrir o motivo de tal acontecimento, ele passa a enfrentar o congestionamento da terra da garoa, enquanto vai percebendo que os engarrafamentos foram transformados em depósitos de ferro-velho. 

Esses acontecimentos acabam por gerar um cenário bem caótico, ocasionando falta d’água, um calor extremo, o desaparecimento das florestas e rios, e até um boom de flores artificiais. Leitura essencial!

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O Homem Que Odiava A Segunda-Feira (1999)

Saltando para o finalzinho dos anos 1990, em O Homem Que Odiava A Segunda-Feira já conhecemos e lidamos com as palavras de um autor renomado, de sucesso e ainda mais criativo.

A partir desse título inusitado, a obra é uma reunião de “contos absurdos, situações de delírio, metáforas e alegorias da realidade, à sombra da maldita segunda-feira”. 

No decorrer de cada um deles, o autor vai nos apresentando um homem que dialoga com uma formiga, uma caixa de correio que engole mãos, enfim… muitas revoltas e loucuras dignas de uma segunda-feira!

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O Menino Que Perguntava (2011)

Ao flertar com diversos gêneros literários, o autor não deixou de colocar um pezinho na literatura infantil. Um claro exemplo disso é O Menino Que Perguntava, lançado em 2011.

Se tem uma coisa que não falta a uma criança, essa coisa é curiosidade, e é por meio das perguntas que elas vão descobrindo o mundo. 

Assim é com o personagem desse livro, um garoto muito curioso, que questiona tudo na escola, no circo, nas andanças que faz pela cidade… e que, consequentemente, acaba por descobrir muitas coisas, mas o que exatamente, só lendo para saber!

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Desta Terra Nada Vai Sobrar, A Não Ser O Vento Que Sopra Sobre Ela (2018)

Por fim, entre os livros de Ignácio de Loyola Brandão, vale destacar o último lançamento do escritor, realizado em 2018, que — como dá para notar — foi capaz de pensar em um dos títulos mais profundos e longos da literatura nacional: Desta Terra Nada Vai Sobrar, A Não Ser O Vento Que Sopra Sobre Ela.

Distópica, a obra tem como cenário um futuro indeterminado. Nele, ao nascer, todos recebem tornozeleiras eletrônicas. As pessoas são seguidas vigiadas e há câmeras instaladas em todas as casas, ruas e banheiros, fiscalizando-as. 

Aos olhos do governo, quanto mais longevos morrerem, melhor e, para isso, a eutanásia para idosos é legal. Ministérios como o da Educação, da Cultura, dos Direitos Humanos e do Meio Ambiente já não existem mais, muito menos as escolas.

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Já a política, ela se tornou líquida — a prova é a coexistência de 1.080 partidos, demonstrando que o que é considerado novo, pode ser mais primitivo do que se imagina. No meio desse novo tempo, há ainda a conturbada história de amor entre Clara e Felipe.

Em novembro de 2021 será realizada a cerimônia de premiação da 63ª edição do Prêmio Jabuti, que já está confirmada on-line. Até lá e até mesmo depois, você terá tempo suficiente para conhecer ainda mais Ignácio de Loyola Brandão! 

Agora, conta para a gente aqui nos comentários: qual desses livros você já leu ou se interessou mais? Nós vamos adorar saber. Até a próxima!

Crédito da imagem de capa: Escritor Ignácio de Loyola Brandão durante entrevista ao Cândido – Jornal da Biblioteca Pública do Paraná. Registro reproduzido de Carla Formanek.

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