Livros de não ficção são aqueles que, independentemente do tema, contam histórias reais, mostram análises geralmente mais técnicas e têm como intuito a educação do leitor. Continue no texto para conhecer mais sobre o gênero.
Não ficção: o que é?
Não ficção é um gênero literário que ronda um assunto ou história real e tem como objetivo educar, responder questionamentos e suprir a necessidade de informações. Assim, ele é um agrupamento de ideias, memórias e pesquisas sobre questões e referências factuais e que, por isso, dependem de alguma credibilidade, seja do autor, seja do estudo desenvolvido.
Dessa forma, as informações nesse tipo de obra precisam ser validadas de alguma maneira, uma vez que supõe-se que, diferentemente da ficção, os escritores não usem da imaginação e fantasia para responder às perguntas levantadas.
E, apesar da diferenciação entre gêneros, é comum que romances de não ficção tragam características da narrativa ficcional visando tornar o texto mais interessante. Assim, não é incomum encontrar narrativas em primeira pessoa ou mesmo a construção de diálogos.
Subgêneros
Outra coisa interessante de se apontar é que, assim como na ficção, ela abrange alguns subgêneros. E, exatamente por englobar tantas opções, a não ficção foi protagonista na lista de livros mais vendidos na Amazon em 2020, contando com obras como Pequeno manual antirracista, Racismo estrutural e A coragem de ser imperfeito.
Dentre as subcategorias do gênero, destacamos:
- Biografias
- Autobiografias
- Teoria política
- Teoria literária
- Autoajuda
- Ensaístico
- Negócios & empreendedorismo
- Filosofia
- Sociologia
- Crônicas
Para começar a ler não ficção
Para ajudar aquelas e aqueles que querem começar a ler mais obras de não ficção, separamos algumas opções que podem agradar aos mais variados tipos de leitores. Confira!
1. Por que nós dormimos, de Matthew Walker
Matthew Walker é um professor e cientista inglês que desenvolve pesquisas relacionadas ao sono e aos problemas gerados pela sua privação. Por que nós dormimos é, então, uma obra de divulgação científica em que, de forma acessível, mesmo que não necessariamente fácil, estudos sobre o assunto são agrupados e, de certa forma, “traduzidos” para o grande público.
2. Diante da dor dos outros, de Susan Sontag
Livro pequeno, mas bastante denso, Diante da dor dos outros é uma obra em que a fotografia e a história andam lado a lado. Nele, Susan Sontag pensa como imagens de dor e sofrimento, especialmente as que retratam o horror das guerras, são divulgadas e recebidas pela sociedade.
3. Tudo sobre o amor, de bell hooks
Livro que dá início à Trilogia do amor, em Tudo sobre o amor, a professora e teórica feminista bell hooks analisa esse sentimento sob um olhar menos frágil e até mesmo romântico, caracterizando-o como uma ação com grandes capacidades, incluindo a de transformar o mundo.
Assim, desmistificando muito do que aprendemos sobre o amor e mostrando como essa visão idealizada é pouco real ou prática, a autora redesenha a sua habilidade de fortalecer nosso entendimento enquanto comunidade.
4. Memórias da plantação, de Grada Kilomba
Outro exemplo de não ficção usada como divulgação de pesquisa, Memórias da plantação é um livro sobre o racismo ligado à colonização e a construção da linguagem, que tem como ponto de partida teses de doutorado de Grada Kilomba. Assim, a partir de experiências individuais, a escritora usa um método psicanalítico para desenhar e repensar o racismo cotidiano.
5. Tornar-se Palestina, de Lina Meruane
Usando de sua história pessoal, a autora chilena Lina Meruane traça em Tornar-se Palestina um caminho de (re)descoberta de origens e de quebra de fronteiras. Aqui, o genocídio palestino torna-se mais palpável, sendo retratado por uma voz que tenta entender as motivações de se permanecer em uma terra em constante guerra e, ao mesmo tempo, busca resgatar a sua identidade enquanto palestina.
6. Imunidade, de Eula Biss
Ótimo exemplo de como a narrativa ficcional pode ser usada para tornar livros científicos mais interessantes, Imunidade é uma obra de investigação sobre imunização e vacinas. Assim, de forma mais íntima e repleta de referências das mais diversas (até mesmo de Drácula!), a escritora traça um ensaio sobre a história de doenças, vírus, recepção de vacinas e de tratamentos através da imunidade.
7. Rituais de sofrimento, de Silvia Viana
Rituais de sofrimento é uma obra que analisa o funcionamento de reality shows, retratando uma dinâmica cruel que também tem seus vestígios muito bem marcados no “mundo real”. Dessa forma, Silvia Viana usa situações absurdas possíveis nesses programas para entender o sofrimento enquanto um espetáculo, bem como a competição e eliminação de um “outro” enquanto entretenimento cruel.
8. Se quiser mudar o mundo, de Sabrina Fernandes
Apresentado com um livro introdutório sobre política, Se quiser mudar o mundo funciona, como diz o subtítulo, como um guia para quem quer começar a entender termos e conceitos como despolitização, ecossocialismo, práxis, opressões e organização política. Para saber mais sobre o livro, confira o vídeo da própria autora:
9. A vida que ninguém vê, de Eliane Brum
Este é um livro em que, como diz a própria autora, é tudo tão verdade que até parece mentira. Nascido de uma série de crônicas escritas para o jornal Zero Hora, ele agrupa relatos de vidas que poderiam muito bem passar esquecidas pela multidão de Porto Alegre, mas que, com delicadeza, empatia e uma escrita magistral, se tornam únicas e memoráveis.
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