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Silhueta De Mulher Frente A Vários Instrumentos Neon

Cantoras brasileiras atuais: 6 discos para atualizar o repertório

O cenário musical brasileiro é sempre um terreno fértil para novos sons e vozes, e uma prova disso é a geração de cantoras brasileiras atuais, que chegam trazendo empoderamento, ritmos, arranjos e sacadas que fazem reviver a MPB, bossa nova, jazz e outros gêneros. 

Para quem sempre está em busca de novas músicas para os ouvidos, vale a pena mergulhar nos trabalhos cheios de brasilidades que essas cantoras estão trazendo para o mercado musical. 

Do samba de Céu, passando por ritmos inspirados na Umbanda de Luedji Luna e chegando na animação e crueza do último álbum de Tulipa Ruiz, separei seis discos para quem gosta de tirar um tempo para curtir bons arranjos ou simplesmente quer uma música gostosa para acompanhar as horas de trabalho. 

Vem comigo!

1. Vagarosa (Céu, 2009)

Já adianto que sou suspeita para falar de Céu, assim como do álbum “Vagarosa”, que é o meu favorito da cantora. O disco foi também o favorito de muitas listas divulgadas na imprensa, considerado o melhor de 2009, ano em que foi lançado. 

Vagarosa é o segundo álbum da carreira de Céu e traz uma afirmação do que ela é musicalmente, assim como uma continuação mais amadurecida do primeiro disco, como explica a própria cantora em algumas entrevistas.  As 14 faixas do disco trazem ritmos que vão do samba ao reggae, com uma roupagem mais suave, orgânica e sem abrir mão do gingando, já conhecido no primeiro álbum, “Céu” (2008). 

O crítico Eduardo Guimarães deixa claro que “Vagarosa” só vem mostrar que Céu tem tudo para manter uma posição de destaque entre as novas vozes da MPB. O disco não só trouxe peso para a sua carreira nacional, como também globalmente, recebendo críticas muito positivas em jornais como The New York Times. 

“Vagorosa” também traz parcerias que só enriqueceram a preciosidade do trabalho de Céu. Na faixa 7, o sambinha “Vira lata” conta com a participação de Luiz Melodia, grande inspiração da cantora. Em entrevistas, ela afirma que essa música realizou o seu sonho de ter uma canção interpretada por um grande ídolo. 

Outra participação muito especial para Céu foi a do baterista Gigante Brasil, que veio a falecer após trabalhar as faixas “Papa” e “Cangote”, música que marca o disco como uma balada de amor, e também onde é citado o nome do álbum. 

“Vagarosa” foi produzido por Céu, Beto Villares, Gustavo Lenza e Gui Amabis. O álbum chegou a concorrer ao Grammy Latino de Melhor Álbum, mas perdeu para “Bom tempo” de Sérgio Mendes. Não há dúvidas de que este trabalho marca Céu como uma das grandes cantoras brasileiras atuais. 

Lista de faixas

  1. Sobre o amor e seu trabalho silencioso | 0:55
  2. Cangote (part. Gigante Brazil) | 4:05
  3. Comadi | 3:30
  4. Bubuia (part. Negresko Sis) | 3:16
  5. Nascente | 3:21
  6. Grains de Beauté | 3:36
  7. Vira Lata (part. Luiz Melodia) | 3:37
  8. Papa | 1:21
  9. Ponteiro | 3:38
  10. Cordão da Insônia | 2:43
  11. Rosa menina Rosa (part. Los Sebozos Postizos) | 4:43
  12. Sonâmbulo | 3:51
  13. Espaçonave | 3:35

Disco: Vagarosa
Artista: Céu
Lançamento: 2009 
Gravadora: Polysom Br
Produtor: Som livre

Imagem: reprodução/Amazon

2. Um corpo no mundo (Luedji Luna, 2017)

Eu tive muito prazer em poder assistir Luedji Luna ao vivo no Sesc, cantando o seu álbum de estreia “Um corpo no mundo”. É difícil não se encantar com toda a energia que a cantora baiana traz para o palco e a força e sensibilidade com que canta cada faixa deste belíssimo trabalho. 

“Um corpo no mundo” é um resgate de ancestralidade, identidade e história da cultura africana, mas que também conta muito das vivências da cantora. Inclusive, na faixa “Banho de folhas”, Luedji comentou durante o show que trata-se de uma história real sobre uma de suas andanças. 

É um álbum que mistura questões políticas com a arte, e um mergulho sem medo aos relatos de violência sofrida pelo povo negro no Brasil ao longo da história. Não há como não se surpreender em como Luedji consegue alinhar palavras e realidades duras em arranjos sensíveis e leves. 

E por falar em arranjos, o álbum tem uma grande riqueza de sonoridade. A percussão, os metais e guitarras, com ritmos que remetem aos terreiros de Umbanda, conseguem casar perfeitamente com influências do jazz e outros ritmos brasileiros. 

Um trabalho de tanta beleza e peso ganhou espaço em listas dos melhores álbuns brasileiros de 2010, além da admiração e críticas positivas sobre toda a construção que este disco nos serve. 

Luedji Luna é uma das minhas cantoras brasileiras atuais favoritas, e não é para menos. Ela encanta, marca e faz florescer o coração de qualquer um. O álbum venceu o Prêmio Afro em patrocínio com a Petrobras e conta com a produção do sueco Sebastian Notini. 

Lista de faixas

  1. Asas | 4:35
  2. Dentro Ali | 6:14
  3. Eu sou uma árvore bonita | 2:54
  4. Um corpo no mundo | 6:25
  5. Acalanto | 3:44
  6. Notícias de Salvador | 3:18
  7. Saudação Malungo | 3:20
  8. Cabô | 3:44
  9. Na beira | 3:26
  10. Banho de folhas | 6:29
  11. Iodo + Now frágil | 4:50

Disco: Um corpo no mundo
Artista: Luedji Luna
Lançamento: 2017 
Gravadora: Polysom Br
Produtor: Dandara produções culturais e audiovisuais

Imagem: reprodução/Amazon

3. Vem (Mallu Magalhães, 2017)

O quarto álbum da cantora paulistana vem para marcar o amadurecimento de Mallu e mostrar que já se foram os dias da cantora de voz tímida e insegura, como ouvimos em Pitanga (2011). Entre um disco e outro, Mallu mudou-se para Portugal, casou e experimentou a maternidade, com o nascimento de sua primeira filha, Luiza. 

Se nos discos anteriores a cantora não explorou tanto a voz, em “Vem”, ela se arrisca em notas mais longas e brincadeiras com os tons. O último álbum de Mallu faz um mix entre diversos gêneros brasileiros, como samba, MPB, bossa nova e características das músicas da jovem guarda. 

Quanto aos arranjos, em “Vem”, Mallu vai além das guitarras e aposta em sopros, percussão e ritmos mais fortes. Se antes as marcas do seu companheiro Marcelo Camelo eram fortes nas produções da cantora, agora vemos um trabalho mais autoral e que fala mais sobre si. 

As faixas “Vai e vem” e “Será que um dia” marcam bem a evolução vocal e musical de Mallu ao longo dos anos. 

De acordo com a revista Rolling Stone, a faixa “Casa Pronta” foi considerada uma das melhores músicas nacionais em 2016, assim como o álbum foi eleito o melhor disco nacional em 2017 e “Você não presta” a 8ª melhor canção. 

Lista de faixas

  1. Você não presta | 3:55
  2. Culpa do amor | 3:21
  3. Casa pronta | 3:19
  4. Vai e vem | 3:33
  5. Será que um dia | 2:45
  6. Pelo telefone | 2:50
  7. Navegador | 3:30
  8. Guanabara | 3:07
  9. São Paulo | 2:33
  10. Gigi | 2:57
  11. Love you | 3:05
  12. Linha verde | 2:43

Disco: Vem
Artista: Mallu Magalhães
Lançamento: 2017 
Gravadora: Sony Music Entertainment (Brasil) Ind. e Com. Ltda.
Produtor: Marcelo Camelo

Imagem: reprodução/Amazon

4. Xenia (Xênia França, 2017)

Xênia França já era conhecida pelo seu trabalho na banda Aláfia e em parcerias com os rappers brasileiros Emicida e Rashid. Entretanto, a cantora entra com tudo em sua carreira solo e traz como primeiro álbum um grandioso trabalho de 47 minutos, o disco “Xenia”

“Xenia” é uma perfeita mistura de referências e estilos musicais, e vai do neo-soul, R&B e canto ancestral ao rock psicodélico. Não há dúvidas de que este é um dos álbuns mais ricos entre cantoras brasileiras atuais. 

A artista se tornou um ícone do empoderamento feminino, especialmente um símbolo para as mulheres negras. O primeiro trabalho de Xênia é politizado e discursa temas como diáspora negra, racismo, opressão e religiosidade, tudo em letras íntimas e que mostram bem quem é Xênia. 

O disco fecha com grandiosidade, com a faixa “Breu”, uma homenagem de beleza e dor à Cláudia Silva, mulher negra assassinada pela polícia militar no Rio de Janeiro. Uma música que dialoga com o sofrimento e os sentimentos da mulher negra.

E como eu disse no começo desta indicação, o álbum chegou com tudo e já foi indicado como Melhor Álbum Pop Contemporâneo da Língua Portuguesa no Grammy Latino 2018. 

Lista de faixas

  1. Para que me chamas? | 4:44
  2. Preta Yayá | 3:00
  3. Minha história | 3:13
  4. Miragem (sem razão) | 3:51
  5. Do alto | 4:40
  6. Garganta (part. Roberta Estrela D’Alva) | 1:23
  7. Respeitem meus cabelos, brancos | 3:40
  8. Perfeita para você | 4:28
  9. Tereza Guerreira | 3:43
  10. Destino | 3:12
  11. Reach the stars | 4:43
  12. Nave | 3:14
  13. Breu | 3:33

Disco: Xenia
Artista: Xênia França
Lançamento: 2017 
Gravadora: Agogô
Produtores: Lourenço Rebetez, Pipo Pegoraro e Xênia Fraça

Imagem: reprodução/Amazon

5. Para dias ruins (Mahmundi, 2018)

A quinta indicação é um dos meus álbuns favoritos desta lista. Acho impossível ouvir “Para dias ruins” e não se sentir bem com o ritmo leve e gostoso das nove canções de Mahmundi. 

Para quem acha que músicas de amor já são muito batidas e clichês, garanto que “Outono” é a faixa que vai te mostrar que o assunto ainda pode ser explorado com muita sofisticação e sem superficialidade. E se Mahmundi afirma no refrão “no inverno eu vou te esquentar”, não duvide: o hit tem tudo para aquecer qualquer dia frio. 

Esse não é o único ponto alto do segundo álbum da cantora: todas as faixas trazem excelentes construções e navegam entre reggae, pop, R&B e até bossa nova.

Este é o primeiro trabalho de Mahmundi que é publicado em um selo grande, com diversas parcerias ao lado de Castello Branco, Roberto Barrucho, Lucas de Paiva, Quinho e seu parceiro de longa data, Lux Ferreira. 

Lista de faixas

  1. Alegria | 3:28
  2. Outono | 4:01
  3. Tempo pra amar | 3:32
  4. Vibra | 3:25
  5. Imagem | 3:35
  6. As voltas | 3:49
  7. Qual é a sua? | 3:10
  8. Felicidade | 3:32
  9. Eu quero ser o mar | 3:54

Disco: Para dias ruins
Artista: Mahmundi
Lançamento: 2018 
Gravadora: Universal Music International Ltda.
Produtores: Lux Ferreira e Mahmundi

Imagem: reprodução/Amazon

6. Tu (Tulipa Ruiz, 2017)

O quarto álbum de Tulipa Ruiz é um pouco diferente dos anteriores: a cantora revisitou os seus antigos trabalhos e trouxe-os em uma versão mais intimista, acústica e nude, como a própria artista define. 

Entre as nove faixas, a artista traz cinco inéditas, mas seguindo esse conceito mais calmo e menos pop. Todas foram gravadas em Nova York e produzidas pelo irmão de Tulipa, Gustavo Ruiz, em parceria com Stéphane San Juan. 

Tulipa, conhecida pelos exageros musicais e por acertar em todas as suas propostas, traz algo totalmente novo e diferente do elétrico “Dancê”, álbum que antecede “Tu” e que foi vencedor do Grammy Latino como Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro. Uma nova faceta da cantora é conhecida e, claro, mais uma vez ela acerta no trabalho. 

A voz forte de Tulipa e as brincadeiras pelas notas vêm com mais força neste álbum, fazendo com que seja um disco delicioso e que realça o melhor da cantora. Em entrevista, Tulipa conta que “Tu” é um álbum que nasceu sem muito planejamento, mas que trazia a vontade de reajustar alguns arranjos para deixá-los mais voz e violão. 

Para os fãs que desejam um novo álbum e com faixas inéditas, a cantora já anunciou que em breve virão novidades. 

Lista de faixas

  1. Game | 2:15
  2. Terrorista del amor (part. Adan Jodorowsky) | 3:13
  3. Pedrinho | 3:32
  4. Tu | 1:40
  5. Desinibida | 3:56
  6. Algo maior | 4:34
  7. Dois cafés | 3:59
  8. Pólen | 2:07
  9. Pedra | 2:22

Disco: Tu
Artista: Tulipa Ruiz
Lançamento: 2017
Gravadora: Tulipa Ruiz
Produtores: Gustavo Ruiz e Stéphane San Juan

Imagem: reprodução/Amazon

Se ainda não conhecia alguma dessas cantoras, convido você a investir em um desses álbuns e curtir todos os detalhes de trabalhos que brilham na harmonia e melodia. Aproveite e continue ouvindo mais, descobrindo outros discos e nomes além desta lista.

E já que alguns deles são discos de vinil, que tal encontrar o toca-disco ideal para aproveitar ainda mais os álbuns indicados? Confira o artigo feito especialmente sobre o assunto, clicando aqui.

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Raquel Siqueira

Jornalista e master chef de lanches vegetarianos. Adora abraçar cachorrinhos e vive acrescentando livros na sua interminável lista de leitura.

Este artigo tem 5 comentários

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