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Imagem De Um Globo Terrestre. Ao Lado Dele Estão Alguns Livros Antigos.

Saiba quais são os melhores livros de história do Brasil

O Brasil é grande de diversas maneiras, inclusive quando o assunto é história. Apesar da pouca idade, muitos são os acontecimentos que retratam a trajetória econômica, social, política e cultural do país nesses mais de cinco séculos — isso se considerarmos apenas a partir da chegada dos europeus, já que, muito antes, essa era a chamada terra brasilis, a terra dos indígenas.

Para compreender toda essa multidiversidade, você pode viajar para o passado, observar o presente e até mesmo imaginar o futuro por meio dos melhores livros de História do Brasil.

Para conferir cada um dos títulos que selecionamos e um breve resumo sobre o que você irá encontrar neles, é só continuar a leitura deste texto!

Índios no Brasil: história, direitos e cidadania – Manuela Carneiro da Cunha

Com os olhos voltados para a história e para a antropologia, nesta obra, Manuela Carneiro da Cunha relata, em cinco ensaios, o passado (muitas vezes, desconhecido), o presente e o futuro dos índios no país.

Em uma trajetória rodeada por preconceitos até os dias atuais, a autora, que é referência na temática, tendo participado das discussões sobre a legislação indigenista que integraram o texto da Constituição de 1988, busca responder diversos questionamentos. Um deles, por exemplo, é “por que a maioria das terras indígenas no Brasil está na Amazônia?”. 

Tudo isso defendendo a ideia de que, assim como possuímos uma imensa biodiversidade, essa grande sociodiversidade deve se manter. 

Para planejar o futuro do país é preciso buscar formas de manter uma parceria com os povos indígenas — um dos maiores desafios da contemporaneidade.

Brasil: Uma Biografia – Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling

Nesse calhamaço de mais de 800 páginas, mas que mantém uma linguagem acessível e ainda permite acesso a uma documentação inédita, Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa Murgel Starling não só dissecam toda a trajetória do país, como defendem a ideia de que, sim, nós merecíamos uma nova história.

Todos os acontecimentos desses 500 anos foram essenciais para a construção do cotidiano, da expressão artística e cultural, das minorias, dos ciclos econômicos e dos conflitos sociais — traços, muitas vezes, negativos e persistentes que ressoam até hoje.

Uma boa oportunidade para conhecer pensamentos e ideias independentes por meio de uma escrita fluida e agradável, abrangente e com teor científico.

Casa-grande & Senzala – Gilberto Freyre

E por falar em traços negativos, uma grande e incorrígivel mancha na história brasileira, sem dúvidas, é a da escravidão. Essa é justamente umas das temáticas principais que um dos mais importantes sociólogos do século XX, Gilberto Freyre, retrata em Casa-grande & Senzala.

Depois de uma longa pesquisa, a obra foi publicada em 1933 e mostra o processo de formação do povo brasileiro a partir da mistura de raças e culturas. O autor traz os desafios registrados pelos africanos, os colonizadores e demais visitantes.

Capa do livro Casa-grande & Senzala, de Gilberto Freyre.
Capa do livro Casa-grande & Senzala, de Gilberto Freyre. Foto: Reprodução/Amazon.

O fato é que, concordando ou discordando de Freyre, ainda mais se considerarmos o período e o rigor científico que o livro foi escrito — nada de Google, dá para imaginar? —, esse é o tipo de leitura indispensável para qualquer pessoa.

A edição atual da Global Editora vem ainda com uma introdução assinada pelo ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso.

Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Holanda

Ao lado de Freyre, outro nome importante na sociologia nacional e, consequentemente, mundial, é o de Sérgio Buarque de Holanda — sim, ele é pai do músico e também escritor Chico Buarque, um dos maiores da MPB.

Mas voltando à obra Raízes do Brasil, ela foi publicada três anos depois de Casa-grande & Senzala, e chegou a ser traduzida para diversas línguas, como para o italiano, alemão e japonês.

No texto, o autor leva em consideração uma macrointerpretação do processo de formação da sociedade brasileira, a partir de uma tese principal: a de que era preciso vencer a colônia, considerada um obstáculo, e estabelecer uma democracia política.

Capa do livro Raízes do Brasil, publicado pela Companhia das Letras, de Sérgio Buarque de Hollanda
Capa do livro Raízes do Brasil, publicado pela Companhia das Letras, de Sérgio Buarque de Hollanda. Foto: Reprodução/Amazon.

Alcançado esse objetivo, Buarque de Holanda busca compreender as bases de um país democrático e moderno, livre do colonialismo e da escravidão — pelo menos legamente, já que os preconceitos “enraizaram-se na sociedade brasileira por meio de uma economia fraca, uma elite despótica e uma sociedade autoritária”.

Em um texto de 1967, escrito por Antonio Candido e intitulado O Significado de Raízes do Brasil, o crítico literário afirma: “O êxito de qualidade [de Raízes do Brasil] foi imediato e ele se tornou um clássico de nascença”. Não por acaso, um sucesso editorial!

O Povo Brasileiro – Darcy Ribeiro

“Este é um livro que quer ser participante, que aspira a influir sobre as pessoas e ajudar o Brasil a encontrar-se a si mesmo”.

São essas as palavras que o próprio antropólogo Darcy Ribeiro usa para definir O Povo Brasileiro — bem mais recente do que Casa-grande & Senzala e Raízes do Brasil, mas tão importante quanto. Com uma escrita poética, ele foi publicado em 1995, depois do autor passar 30 anos escrevendo-o.

Imagem do sociólogo e escritor Darcy Ribeiro, autor de O Povo Brasileiro.
Imagem do sociólogo e escritor Darcy Ribeiro, autor de O Povo Brasileiro. Foto: Reprodução/Amazon.

Na obra, Darcy expõe como as engrenagens moldam nossa realidade que ainda precisa caminhar longos passos em busca da tarefa contínua de ser uma Nação. 

O caminhar da leitura é dividido em 5 seções: (I) O Novo Mundo; (II) Gestação Étnica; (III) Processo Sociocultural; (IV) Os Brasis na História; (V) O Destino Nacional.

A capa da edição de 2015 da Global Editora traz ainda a imagem do quadro Operários, da artista Tarsila do Amaral — uma excelente representante da diversidade racial e cultural existente no país, a mesma abordada pelo escritor.

Getúlio 1 – Lira Neto

Entre os muitos governos existentes no país após a instalação da República, a chamada Era Vargas, em especial, segue sendo tema de muitos estudos.

O período comandado por Getúlio Dornelles Vargas durou 15 anos: iniciou em 1930 e encerrou em 1945, sendo comumente dividido pelos historiadores em três fases: Governo Provisório (1930-1934), Governo Constitucional (1934-1937) e Estado Novo (1937-1945).

Em Getúlio 1, o escritor brasileiro Lira Neto apresenta ao leitor as nuances dessa figura histórica tão notável para o Brasil com um olhar jornalístico e objetivo, ora abordando aspectos pessoais, ora políticos do personagem.

Essa é apenas a primeira obra da trilogia, que teve como base uma pesquisa realizada durante dois anos e meio em torno de uma gama de documentos, a fim de tentar compreender esse indivíduo de tantas faces: “Revolucionário, ditador, reformador social e demagogo”.

De cartas pessoais a notícias de jornal, o livro é um retrato do desenvolvimento e dos efeitos positivos e negativos de uma das maiores personalidades políticas da história.

Desconto
Getúlio 1 (1882-1930)
Getúlio 1 (1882-1930)
Neto, Lira (Author); 664 Pages - 05/10/2012 (Publication Date) - Companhia das Letras (Publisher)
R$ 48,23
Desconto
Getúlio 2 (1930-1945)
Getúlio 2 (1930-1945)
Neto, Lira (Author); 632 Pages - 08/01/2013 (Publication Date) - Companhia das Letras (Publisher)
R$ 51,90
Desconto
Getúlio 3 (1945-1954)
Getúlio 3 (1945-1954)
Neto, Lira (Author); 464 Pages - 08/04/2014 (Publication Date) - Companhia das Letras (Publisher)
R$ 45,90

Viva o Povo Brasileiro – João Ubaldo Ribeiro

Já se você gosta de uma escrita mais ficcional, ainda que ela tenha embasamento na realidade, Viva o Povo Brasileiro é nossa sugestão.

Nesse, que é um dos mais importantes romances nacionais, João Ubaldo Ribeiro viaja até as origens do Recôncavo Baiano para dar vida a quase quatro séculos de história do Brasil. Apesar da história ser habituada em grande parte no século XIX, ela também retrocede até 1647 e avança até 1977. 

Para isso, a ótica de personagens bem construídos e anônimos vai sendo apresentada ao longo das páginas.

Com alto nível literário e repleto de humor, o livro ganhou em 1984 o prêmio Jabuti e o Golfinho de Ouro, do Governo do Rio de Janeiro.

A Elite do Atraso: da Escravidão a Bolsonaro – Jessé Souza

Por fim, saltando para os dias atuais, em A Elite do Atraso: da Escravidão a Bolsonaro, o sociólogo Jessé Souza dá continuidade na busca sobre a verdadeira e monumental corrupção, seja aquela ditada pela lei ou não.

Capa do livro pelo selo da editora Sextante.
Capa do livro pelo selo da editora Sextante. Foto: Reprodução/Amazon.

Com muita ironia e ousadia, Jessé apresenta um olhar próprio sobre as causas da desigualdade no país. Inclusive, o autor confronta a literatura de Sérgio Buarque de Holanda e até mesmo de Gilberto Freyre. Para ele, as desigualdades atuais não são resultado da corrupção política, mas sim da escravidão. 

Na nova edição de 2019, o livro ganhou um tópico a mais, a Era Bolsonaro, assim como um novo design gráfico.

O fato é que não faltam títulos para que você conheça as diversas facetas do nosso país. A partir da leitura deles, você pode expandir suas perspectivas sobre como ele vem sendo edificado durante todo esse tempo de existência.

Além disso, conhecer os melhores livros de História do Brasil é uma excelente oportunidade para se orgulhar das conquistas e não perpetuar as tragédias — aspectos contrários que, sejam por bem ou mal, fazem parte da nossa trajetória.

Para conferir mais obras e seguir adquirindo ainda mais conhecimento, é só clicar no link abaixo. Boas leituras!

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Caroline Luz

Formada em Jornalismo pela Facopp/Unoeste, estudante de Letras/Espanhol na Unesp de Assis (SP). Libriana apaixonada por sol, cerveja, música, cinema e literatura – russa e latino-americana, especialmente! Já escrevi um livro e plantei uma árvore, não estou certa quanto a outra tarefa. Por fora, The Beatles; no fone de ouvido, Exaltasamba.

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